
Respiro o ar puro do Planalto Central em meus pulmões, ar cheio de prana e força vital, cheio do sangue Universal, pois junto com o ar circula a energia vital do cosmos, chamada Chi pelos Taoistas, Prana por várias escolas da Índia.
Esta energia fundamental, que tudo irmana, que tudo compõe em diferentes graus de variação em densidade e tempo é intima aliada de uma consciência que a Eternidade tem de si mesma.
Essa consciência da Eternidade, essa presença efetiva, esta "Força" no conceito Jedi do tempo, ao lado da energia vital compõe uma dualidade fundamental no que chamamos existência.
A existência emana de uma fonte que está em toda parte, somos partes do aro de uma roda de carroça e o eixo se manifesta no momento que o aro toca o solo e o aro é o eixo neste momento.
A Deusa anciã do inverno recolhe sua face, agora é noutra face que ela vai se manifestar, a Virgem, a Terra que guarda a semente em seu seio a espera da maturidade do Sol que virá fecunda-la.
É um tempo de purificação, de livrar-se de tudo que não tem sentido em nossas vidas, de tudo que já ficou no passado e as vezes insistimos, por hábito, comodismo ou receios mil, de abandonar.
O novo, o transformador só pode entrar em nossas vidas se dermos espaço e enquanto este espaço está ocupado com o que já foi, com a mesmice que nada muda, com a repetição do já vivenciado, não haverá mudança, não haverá novidade e corremos o risco de tudo que fica estagnado: Fenecer!
Chegou a PRIMAVERA.
É muito importante sentir como a energia pulsa e se manifesta na existência. Vejam a lua e suas fases. A fase Cheia da lua e a fase Nova, são apenas instantes, aproximadamente quatro minutos que o sol fica em total oposição a Lua (cheia, plenilúnio) ou em alinhamento (Lua nova) no mais a lua está minguando ou crescendo. Isto me leva a lembrar do Taoismo e sua brilhante concepção dos opostos fundamentais: YIN e YANG.
Aqui também há a idéia de que tudo está em fluxo, nada é estático, tudo está em movimento. Religamo-nos a nós mesmos, a nossa mais profunda essência interior, o lugar silencioso intocado de qualquer programação exterior onde ouvimos a voz do silêncio, onde a singularidade do que somos dorme, esperando ser desperta quando nos lembrarmos de nós mesmos. Esse momento de mudança de saída do ovo, da coragem de romper o momento que é um frágil e protetor útero mas também limitante é o aprendizado que a criança solar trás do nascimento na noite mais escura do ano. Agora a criança está crescendo, caminhando para a puberdade primaveril, vai desabrochar para sentir a vida externa a si, que a envolve. Frágil criança começa a crescer, sutilmente os dias começam de novo a ficar mais longos, começa a escurecer mais tarde e a clarear mais cedo. A criança solar começa a crescer, seu poder vai redespertando a vida que dormia, vai redespertando a exuberância da natureza que estava recolhida.
Vivemos num país abençoado, creio mesmo que vivemos na mítica Hybrasil dos antigos contos, a Terra onde o sol brilha intenso, em todo o ano.
Chegou a hora de abrir nossos braços sentir a terra pulsando debaixo de nossos pés, olharmos para esta nova Alvorada e dizer:
Seja bem-vinda a PRIMAVERA!
Munay...

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