quarta-feira, 15 de abril de 2009


A grande extensão das estrelas, que outrora iluminavam o céu noturno, foi reduzida à insignificância pelas brilhantes luzes de nossas cidades. O canto dos pássaros pela manhã, que saudavam nossos ancestrais todo dia, quando se levantavam para cultivar seus campos ou sair para a caça, agora foram apagados pelo toque dos despertadores. Do mesmo modo, os grande rituais e mitos se perderam para nós. Antigamente, eles marcavam e dignificavam os profundos mistérios e nos ajudavam a compreender nossas passagens de uma fase da vida para a outra; agora foram afogados no turbilhão de nossas vidas atarefadas e incoerentes.

Há uma necessidade esencial na psique humana de reintegrar tradições rituais e mitos em nossa vida. Cada vez mais pessoas perguntam: "Quem sou eu? Qual o propósito da minha existência?" A volta do fudamentalismo, o sucesso do movimento new age e a formação de inúmeras associações espirituais atestam a necessidade das pessoas de reintegrar o mágico, o sagrado e o mistério em sua vida.

Um meio de sanar esse vazio espiritual em nossa cultura é reviver antigas tradições, criar novas, e transmití-las aos nossos descendentes. Com efeito, as tradições, os rituais e mitos nos religam ao passado e ao futuro, além de sintonizar com os ritmos da natureza e do Universo. Elas estão impregnadas com a substância da vida e nos levam à essência de nosso ser, restabelecendo a comunhão com o cosmo. Joseph Campbell, importante mitólogo, diz que "o mito é uma abertura secreta pela qual as inexauríveis energias do cosmo fluem nas manifestações humanas", e que "a função primordial da mitologia e do rito sempre foi a de fornecer os símbolos que dessem impulso ao espírito humano".

As histórias mitológicas criam significado humano dentro da complexidade do Universo. Colocam marcas conscientes e inconscientes que se tornam pontos de referência para nossa vida. Mito, rito e tradição são como bússola para nos guiar no caminho da vida, esclarecendo e validando tanto a história pessoal como a dos povos de outras eras. Os aspectos disparatados de nossa vida recebem significado e coerência por meio desses sistemas, os quais organizam os eventos separados e sem sentido dentro de uma rica estrutura, que pode dar um senso de propósito para nossa experiência do viver.

Não há tempo melhor que o hoje para criar novas histórias e mitos para nós mesmos, nossa família e nossos descendentes. Eles de fato, alimentam a alma e são essenciais para o bem-estar psicológicos das gerações que nos seguirão. Muitas histórias antigas, contada em torno da fogueira tribal e transmitidas por meio das gerações, morreram. É um ato de força e de esperança reviver essa tradição e, inclusive, criar novas, que possam ser passadas adiante. As novas histórias podem ocorrer de diversos modos: espontaneamente, quando contamos histórias de ninar ou quando nos sentamos a beira de uma fogueira de um acampamento. Porque não desligar a TV de vez em quando, para saborear um lanche no clima de uma bela história?

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. .hmpf
    por isso que esse mundo tá perdido do jeito que está =P

    *que dia vamos ver 'Divã'?! =D

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