Com o advento da Gripe Suína, me vem a mente todas aquelas pessoas que acreditam num futuro sombrio. A idéia de um apocalipse ganho popularidade em diversos grupos divergentes... cristãos fundamentalistas, espíritas, adeptos da Nova Era e ambientalistas radicais. Existe um certo apelo horripilante na idéia de um cataclismo iminente, e ele está ganhando popularidade devido a uma série de razões. No meu modo de ver, se você acredita que um cataclismo está chegando, pode ser interessante examinar suas motivações internas para pensar desse modo.Acreditar num desastre iminente permite que algumas pessoas se sintam parte de algo maior do que a vida normal. Todos nós temos desejo profundo e insaciável de mistério e assombro. Queremos uma experiência transcendental ou de pico onde nos tornamos parte da majestade do universo. Mas a maior parte da nossa vida é preenchida com o pagamento de aluguel, chegar do trabalho a tempo e milhares de detalhes cotidianos. Acreditar que fazemos parte de um tempo mágico, um período em que o destino da humanidade está na balança, oferece um sentido de exaltação e finalidade que muitos dos nossos atuais sistemas religiosos e filosóficos não despertam. Acreditar que há algo especial em nosso tempo e local no universo nos dá uma sensação de estarmos vivos. Mesmo que imagens de desastres sejam na maior parte negativas, esse período fornece a algumas pessoas um contexto maior e um significado mais profundo para seus medos.Muitos indivíduos que tem o fascínio pelo desastre vindouro acreditam que irão sobreviver mesmo que a maioria morra. Muito embora a maioria dessas crenças talvez tenham sua fonte na sensação de fazer parte de algo excitante e maior que a vida, podem ser perigosas, porque sustentam a idéia de que o indivíduo deve trabalhar para garantir a sobrevivência de amigos e da família, mesmo em detrimento de todas outras pessoas. Ainda que o antigo instinto tribal de apoiar a própria tribo e lutar contra as demais possa ser uma relíquia de nosso passado, resistir a essa força é essencial para a criação de um mundo mais tolerante. Para que a humanidade viva pacificamente, precisamos trabalhar para alterar essas tendências em nós mesmos e em nossa cultura.
Talvez a atração de um cataclismo mundial tenha suas raízes no reino do mito. Devido à natureza fatalista e ao enorme impacto da comunicação de massa, estamos sendo constantemente assaltados com informações sobre o potencial para mudanças cataclísmicas no mundo, que geram o medo cultural coletivo e inconsciente de tempos perigosos. Os mitos dão ao informe e nos fornecem uma maneira de interpretar coisas que são grandes demais para que pensemos nelas em termos ordinários. Para que possamos dar forma a nossos medos nebulosos, talvez tenhamos criado coletivamente um mito do mundo chegando ao fim. Esse Mito do Armagedon fornece-nos uma forma específica, à qual anexamos nossos medos avassaladores e informes. Só no início deste milênio já passamos por diversos destes Mitos e agora ele vem mais uma vez nos assombrar na forma de uma epidemia mundial que se alastra.
Este novo Mito nos fornece um dragão para matar (coitado dos dragões, sempre sobram para eles). Para nos salvarmos desse desastre em portencial, procuramos um cavaleiro em armadura brilhante sob uma forma ou outra. A solução potencial abraçada pelos Cristãos é a segunda vinda do Cristo. Para um seguidor da Nova Era, o cavaleiro salvador poderia ser a evolução interior ruma ao despertar espiritual. O Mito do Milênio liga o medo a um período e ameaça particulares, em vez de permitir que ele permaneça num futuro indefinido e incerto. Isso ajuda a substituir a atormentadora ansiedade coletiva quanto ao futuro pela certeza de que podemos agir para evitar desastres potenciais. O mito nos fortalece, permitindo-nos ser o máximo que podemos ser, e dá forma a nossos medos.
Outro motivo por que um cataclismo possui atração magnética é devido ao desejo intrínseco na psique humana de reverenciar início e finais. Festejamos o Dia do Ano-Novo, porque ele representa simbolicamente um final e um novo início. Celebramos nossos 30, 40 e 50 anos, e assim por diante, porque cada um marca o final de uma década e o início da próxima. Estamos eternamente lutando para iniciar novos começos. Na busca do significado, a maioria de nossos ancestrais abraçou rituais que celebravam inícios e finais e eram considerados períodos sagrados. Como a maioria dos antigos rituais se perdeu, talvez ansiemos, enquanto espécie, por um sentido de completude e uma vontade de celebrar novos princípios. Talvez as imagens de uma mudança cataclísmica seguida por um novo começo da Terra satisfaçam essa necessidade coletiva.
Novos inícios também podem simbolizar a morte do pecado e o renascimento da inocência. Nas tradições de muitas religiões, por meio da penitência é possível recomeçar. Nós confessamos nosos pecados para que possamos ser purificados. Como os seres humanos tendem a projetar sobre o mundo questões individuais mais profundas da alma, a crença numa renovação cataclísmica da Terra pode satisfazer a necessidade da psique inconsciente coletiva de banir os pecados sociais da poluição e do desrespeito pela Terra.
O apelo de finais e de novos começos acompanhou o final de todos os séculos. É como se o ano, revertendo magicamente ao zero, marcasse um ponto de virada na vida. Ao longo da história, muitas das previsões do fim do mundo foram embasadas nos finais de século. Talvez essas previsões reflitam nosso desejo de alcançar plenamente novos começos, que são representados pela virada de um século. Porém, embora o fim de cada século tenha sido prodígo de videntes e profetas declarando o fim do próximo, o mundo sempre conseguiu sobreviver... e assim seguiremos nós contando a história.

hm.. sabe como ando resolvendo isso?! crio os meus próprios cataclismas. kkkk! arrumo umas encrencas, corro perigo de vida (ainda que imaginário), passo uns sustos. morro e trato de renascer cada vez que sinto tédio. e assim vai. =] hm. fui ver Divã sem tu. é Linnnnndo! \o/
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