quarta-feira, 1 de julho de 2009

Celebramos a Vida


O xamã não ora a deuses implorando humildemente favores. Um xamã entra em sintonia com as potências da vida e age em harmonia com esses fluxos.
Magia é a forma do xamã se aliar aos poderes que nos cercam, não orações de pedintes.
Tais potências que imprecisamente chamamos de deuses e deusas, não respondem a "oração" mas ao poder pessoal e a precisão da magia empregada. Isso é fato.
Ao contrário do religioso que reza para Deus ajudar e quando nada recebe, ou até o contrário acontece, se julga sendo "castigado" ou "testado", um xamã sabe se realizou o rito de forma correta e tem poder pessoal suficiente para atingir o que procura. Isso é Magia.
Nossa proposta seria muito mais próxima do cear com os deuses, nunca para eles. Não há qualquer traço de adoração no xamanismo que trabalho. Trabalhamos com sintonia, nunca com adoração. Celebramos, jamais cultuamos. Buscamos ser o mito, não adorar o mito.
O xamanismo celebra a vida, os ciclos da natureza, mas o celebrar do xamanismo não é adorar, não é prestar culto ou submissão a um ente superior, para o xamanismo tudo está interligado, assim tudo é igualmente sagrado, um xamã se ajoelhando na terra não demonstra temor a um ente superior, está se aninhando no ventre da Mãe, se aconchegando na fonte de onde tudo provém, a Mãe Terra.
É difícil mudar a mentalidade, a forma de abordar a realidade. Muitas pessoas subitamente percebem que o xamanismo tem um apelo profundo. Sentem a ressonância e mergulham no mesmo, mas trazem para o xamanismo antigas posturas existenciais.
Não operam em si uma profunda transformação conceitual, não reavaliam sua percepção da realidade circundante, apenas pegam os mesmos conceitos e o resignificam, isto é, dão rótulos novos, mas continuam com a mesma bagagem conceitual.
Como sempre digo, iniciar-se é morrer para o velho ser que éramos e nascer para um novo ser.
Morrer é transformar-se, é deixar para trás um estilo de ser, de agir, de pensar, de sentir e ousar encontrar um novo estilo.
Sem essa mudança estrutural não houve iniciação.
Rituais portentosos podem ter ocorrido, mas o sentido fundamental da iniciação, morrer e renascer, não foi alcançado.
E morrer é deixar o velho e nascer novamente, de si próprio, por si, puro, ingênuo, pronto a reaprender o mundo.
Essa purificação necessária, despir-se de todos os "eus" conceituais que nos impregnaram para conseguir ver a realidade como ela é, não como nos condicionaram a vê-la.
Ao observarmos as tradições nativas e lermos todos os livros que contam sobre a iniciação de um xamã veremos que é isto o que o grupo que inicia faz.
Desmonta sistematicamente a antiga visão de mundo e "educa" o aprendiz a mergulhar numa nova abordagem da realidade.

Munay...

3 comentários:

  1. Saudações irmão Wagner,
    Sua eloquência em tudo que faz me chama a atenção.
    Importante reflexão eu faço a cada pelavra que leio.
    Muito me ajuda a crescer como um aspirante a xamã, já que sabemos, e como você mesmo se apresenta, o caminho é longo, porém, não impossível de se atingir e continuar aprendendo.
    Munay,
    Roberto Fontenele

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  2. oiiii! =] passei por aqui!
    bj, FUI! ;*

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  3. Um belo texto, andarilho, que tece entre o silêncio das palavras escritas o som pulsante dos xamãs, dos mensageiros, que se postam integros e imaculados diante do infinito, e se banham com os ventos espirais da quietude...

    Chuva de flores e Vida Plena!!!

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