
Noite fria de início de inverno no Cerrado, grandes labaredas aquecem almas ainda mais. Seus corpos nus ao redor do fogo dançam, suam riem, gritam, pulam alegrando a festa.
A fogueira do amor, são toras e gravetos. Visto pelo lado feminino, da poesia, dos sonetos e do masculino, fogueira é o amor. Que trepida, acesa, irradiando, de suas entranhas, o desejo ardente, seu clamor.
No meio do grupo estão duas almas iguais, a máxima comunhão seus corpos alcançam. Eles são o fogo e a festa, o sangue e o suor. Rodopiando e rolando, amando e beijando. O calor arde nos corações e na fogueira aquecendo os dois consumando o amor.
Na noite mais escura do ano, a fogueira reflete a chama do amor. Tanto como a fogueira. Acessa. Sem dor. Mas cada fogueira tem seu calor.
A sua maneira de acender. É infinita enquanto dura. A sua chama e a sua forma e as suas cores. E o seu tom. Entre o amarelo e o vermelho batom.
Algumas duram muito. Outras nem tanto. Mas todas duram.
Não o suficiente para esquecer os gravetos. Que se perdem quando as toras crepitam. E se agitam. Dentro da fogueira. Mas são eles, os gravetos, que dão a partida. O início. O primeiro passo para que tudo pegue fogo. O precipício.
O calor arrefece no meio da clareira, das chamas de antes só sobraram brasas. A fogueira se apagou, o povo foi embora e os dois ficaram sentados na esteira deixando que sua imaginação tenha asas, vendo o carvão que era madeira outrora.
Até que tudo se acalme. Vire fumaça. Brasa que ardia. Lembrança de uma noite fria. Que já passou com seu calor. Que se renova sempre. No outro dia.
Munay...

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