
O que é magia?
Magia é antes de mais nada um sentimento, uma forma de participar da vida.
Não vejo a magia como algo dissociado da própria vida, pelo contrário, a vida como toda é mágica.
Cada instante, cada momento é magico.
Magia é quando ao final da tarde, correndo no Planalto Central Brasileiro o sol incendeia as nuvens em cores (proprocionado o mais belo por do sol que existe)... quando a lua surge, quando a chuva cai, quando vejo o sorriso de uma criança e da mulher amada ao olhar nos meus olhos.
Magia é quando aquilo que desejo se torna realidade, quando alcanço meus objetivos, por ter me esforçado por eles, por ter trabalhado com minha vontade e atos.
Magia quando ouço música, quando vejo um quadro, quando assisto a uma peça ou um filme que me toca.
Creio que a vida só começa a ser pensada quando ausente.
Sendo mais claro, quem começa a pensar e filosofar sobre a vida, o faz porque não está vivendo de fato, não está presente a vida real, que nos envolve de forma profunda.
Então, a margem da vida, muitos se põe a pensar e a filosofar sobre o viver, como se a vida fosse alguma equação completa.
Creio que as respostas à vida só podem ser alcançadas de forma dinâmica, na própria vida.
Em fluxo.
Assim é com a magia.
Não há como definir a magia, temos que viver a magia para entendê-la, senti-la.
Magia é estar vivo, é ver, ouvir, cheirar, degustar, sentir.
Ao meu ver o ritual mágico é mero instrumental.
Necessário numa fase do processo, só isso.
Velas, pentagramas, espadas, báculos, incensos, são ferramentas, são auxiliares para quando começamos a lidar com a eternidade que nos envolve.
Como aqueles andadores que colocam nas crianças quando elas começam a andar. Ajudam, mas não são imprescindíveis.
Aprendi que a magia é um caminho, um caminho para poucos que tem coragem de ir além dos limites impostos pela sociedade, que tem coragem de ir além de deuses e demônios, que estavam prontos para aventura solitária mesmo que em grupo, de ir além dos limites deste tempo e espaço do qual estamos inseridos.
Vi pessoas que caiam de alegre no universo da magia, vi pessoas que procuram a Arte como forma de fuga de suas realidades existenciais, outras como forma de responderem ao desafio que a vida lhes apresentava, enfim descobri que cada pessoa que se aproxima da magia tem uma história de vida singular que a conduz até a Arte.
Descobri também que a grande maioria se aproxima, se afasta, na quase totalidade das vezes sem nunca ter mesmo encontrado a Magia, apenas alguns arrepios, algumas fantasias e saem por aí falando de algo que nunca viveram, confundindo o mero reflexo que vislumbraram com a vivência efetiva da Arte, que nunca tiveram.
Encontrei iniciados com títulos pomposos, conhecimento teórico enciclopédicos, mas com vidas confusas, emocionais em crises, surtados, psicóticos e esquisofrênicos. Conheci pessoas simples, sem nem mesmo o primário, que não usavam frases elaboradas, mas que manipulavam com total controle as forças naturais, curandeiros e curandeiras poderosos.
Conheci quimbandistas, umbandistas, magos cerimoniais, satanistas, sethianos, sensatos e insensatos, tranquilos e em crises, sensíveis e embrutecidos.
Conheci prisioneiros nas celas de seu egoísmo e vaidade, cegos em sua arrogância e orgulho falando em liberdade. Conheci pessoas livres, senhores e senhoras de si que nunca seguer se ocuparam com tais idéias, embora vivessem as mesmas na realidade de suas vidas.
Conheci puritanos e moralistas, que por serem perdidamente depravados precisavam de regras rígidas, sabedores que se o meio a sua volta não criasse regras fixas de comportamento eles não saberiam como ocultar mais a luxúria desgovernada que traziam em si.
Conheci gays e prostitutas, depravados para a sociedade que tinham total tranquilidade na sua sexualidade e viviam rindo da sociedade que os exorcizava. Faziam sexo com o corpo, e com isso tinham a mente livre para ir ao infinito, enquanto seus detratores negavam sexo ao corpo, mantendo com isso suas mentes chafurdando na luxúria que pensavam ver em toda a parte.
Presenciei muita Magia... não há como negar que a verdadeira existe, que existem pessoas que podem desaparecer na sua frente, que podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, que atravessam paredes, que curam, que matam, que passam despercebidas numa festa... chegam perto de você, dão o recado e vão embora sem que ninguém as vejam.
Estive sentado numa canoa, colocada sobre a raiz de uma árvore ancestral de uma tribo e no toque do tambor, sem nenhuma substância a catalizar o processo, ver a terra se abrir e viajar, com muitos outros, aos mundos paralelos, onde vivem aqueles que não quiseram ser destruídos e que tiveram condições de mudar de realidade, onde ainda hoje vivem.
Conheci os mundos cuja a chave se encontra em plantas mágicas, que ingeridas após saunas sagradas ou danças sem fim , não produzem inconsciência, mas supra-consciência.
Entendi mais que nunca a Magia e descobri como ela e a Vida estão interligadas.
Magia...
Mas a verdadeira Magia continua ali, onde sempre esteve, a nossa volta, nos mantendo vivos.
Como as crianças usam artifícios de tampinhas e palitos para aprender a fazer contas, usamos rituais e parafernálias mil para começar a compreendê-la.
Mas quando estamos maduros, podemos ir além de tudo isso e descobrir a essência dessa Arte.
Magia é parte da Vida.
Pois sem Magia não vivemos, apenas sobrevivemos.
Munay...

Surprise: Concordo em número, gênero e grau...rs
ResponderExcluirBeijos!