segunda-feira, 12 de setembro de 2011



Chegar aos ventos antes de ter se resolvido, antes de ter-se feito nuvem é arriscar ser parede que barra o vento, ser buraco que em sua própria natureza se afunda fugindo do vento, que ainda assim pode percorrer seu interior.

É o que vejo as vezes no encontro dito "amoroso" das pessoas, onde cobranças, medos, ciúmes e ansiedades preenchem o que poderia ser o partilhar da maravilha de estar vivo entre seres que se sentem felizes pela vida do outro.
Há muitas complexidades no caminho dos Ventos, mas ele não pode ser trilhado por "busca do amor perfeito" ou por quaisquer outros interesses egoticistas.
Para poder fluir com os ventos temos de ser nada, para nele flutuar temos de ser inteiros.

Munay...

terça-feira, 30 de agosto de 2011


O saber sagrado das tradições nativas foram passado de geração em geração, através da tradição oral. Talvez seja por isso que esses povos respeitam tanto o dom da palavra ao reunirem-se em conselho em torno da grande fogueira para compartilhar seus ensinamentos e suas histórias.

No nosso modo de ver, a palavra é um dom que vem direto do Grande Espírito. Por meio dela, nos temos o dom de criar. É através da palavra que nos manifestamos tudo. Independente da língua que falamos, nosso intento se manifesta por intermédio da palavra. Tudo que sonhamos, sentimos e o que somos é manifestado mediante a palavra.
Ela não é simplesmente um som ou um símbolo escrito. A palavra é o poder que todos nós temos para comunicarmos, expressarmos e pensarmos, criando assim os eventos de nossa vida diária. A palavra é a mais poderosa de todas as ferramentas que nós possuímos. Através dela pode ser realizada a guerra ou selada a paz. Devemos ficar alerta para conhecer essa dualidade que existe no dom da palavra, dependendo de como ela é usada, ela pode nos libertar ou nos acorrentar. Não adianta termos esse conhecimento e não sabermos usa-lo com sabedoria. Devemos dizer apenas aquilo em que acreditamos, procurando usar este poder de nossa palavra na direção da verdade e do amor, como os grandes guerreiros dos povos-vermelhos sempre o fizeram.

Dã Nãho!

sexta-feira, 30 de abril de 2010


Como uma serpente me enrosquei em ti,
como um felídio lambi teu corpo, e
me esfreguei em tua perna.
Como um lobo selvagem te cacei,
segui meu faro, te devorei, me saciei.
Como um falcão voei em ti,
te cobri com minhas asas,
e te prendi com minhas garras.
Como um potro moleque
deixei que galopasses em mim,
corri no teu oceano,
e me banhei em teu leite.
Como um beija-flor suguei teu néctar,
flori o teu jardim e dancei ao teu redor.
Como uma preguiça subi em tua árvore,
sentei em teu tronco, e fiquei de manha ...
Como um menestrel cantei para ti,
te encantei e fui enfeitiçado.
Como um jaguar farejei teu cheiro,
senti teu perfume e nele me perdi.
Te aqueci com o meu calor,
me derramei em teu corpo,
como a lava de um vulcão,
me cobri de chamas e te incendiei.
Adormeci em tuas pernas,
e descansei em teu ser.
Como macho te desejei e te possui,
me entreguei como homem, e te acolhi
para no desfalecer do gôzo,
adormecer em ti...

Munay...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


A terra é um ser vivo.
Os ventos fazem parte do poder da terra.
Nós somos seres de energia.
Podemos transmutar energia.
Nós somos seres de consciência.
Podemos transmutar consciência.
Nós somos seres vivos.
Podemos transmutar vida.

Munay...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


Aloha!
No meio da agitação do dia-a-dia, caminhe tranquilamente entre a inquietude e a pressa, pensando na paz que podemos encontrar no silêncio interior.
Procure viver harmoniosamente com as pessoas que estão ao seu redor, sem abrir mão da nossa dignidade.
Fale sua verdade clara e mansamente e ouça a verdade dos outros. Eles também tem sua própria história.
Evite pessoas agressivas e transtornadas, elas aflingem o nosso espírito, mas sempre que tiver uma oportunidade ofereça uma palavra amiga a elas.
Não se compare aos demais. Julgando-se superior ou inferior você se tornaria presunçoso ou amargo.
Viva intensamente os seus ideias e seja responsável pelos seus atos.
Seja prudente em tudo que fizer, pois o mundo está cheio de armadilhas, mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Há muita gente lutando por nobres ideais e em toda a parte, a vida tá cheia de heroísmo.
Seja você mesmo e, principalmente, não simule afeição e não descreia do amor: mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é perene como a relva.
Aceite com carinho os conselhos dos anciões e seja compreensivo com os impulsos inovadores dos mais jovens.
Cultive a força do espírito que o protegerá dos infortúnios e surpresas da sorte adversa, mas não se desespere com perigos imaginários: muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
Portanto, esteja em paz com o Universo, e quaisquer que seja seus trabalhos e aspirações, a fatigante jornada da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma.
Acima das falsidades, dos desencantos e das agruras, o mundo ainda é bonito, seja prudente.
Faça tudo para ser feliz.
Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores... você merece estar aqui.
E mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão seguindo o seu destino.
Munay...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009


Sinto-me assim,
como em dia de colheita.
Livre a voar.
Não preciso de asas , fico só na espreita
Pois meu sonho o faz por mim.
E ele vem bem assim...
Dançar ao redor da fogueira,
Noites de música, cheiro do mar
Perto dali,
Na selva densa, escura e tensa
Na noite, a lua a cintilar
No centro, o fogo a trepidar
Caldeirão de ervas, incensos e chás
Bebidas etílicas, o vinho a derramar
Mulher vestida com brilhos
Pele macia, o profundo do olhar
De felina selvagem, de animal no cio,
lábios molhados, decote ousado
Cobrem-lhe as espáduas
Castanhos cabelos encaracolados
Caminha em seus passos sensuais
Trazendo consigo, a alma dos imortais
Insinuando que suas entranhas são fecundas
Esgueiram-se entre labaredas
Em danças provocantes
Mexendo sutilmente seu malicioso quadril
Sigo-a apenas com a vista,
Nunca a perco de vista.
Quero agarrá-las com suas minhas garras
Comê-las com os olhos
Aspiração incontrolável de montá-la.
Mostrar-te toda a minha capacidade
O poder de minha impetuosidade;
A noite cai reluzente sob o luar do solstício,
Em meio à música e o movimento.
A bebida e a dança,
Elas disseminam seus ares,
Exalando seus cheiros de luxúrias.
Lambuzando-lhes com suas umidades.
Anseiam pela colheita do sêmem,
Para no próximo verão desabrochar.
Encosto-lhe as minhas mãos,
Agarro-a com voluptuosidade
E ela em luta, anseia ser domada
De querer ser o que se quer ser.
Só animal, só instinto .
Entre brumas e névoas
Em um canto, na relva
Molhada do orvalho
Nua, em total devassidão,
Entre orgasmos exultantes e
Gritos alucinantes de prazer.
O tempo se escoa
Entre a música, vinho e movimentos
Ora simétricos,
balançando sob o mesmo compasso
Ora cavalgadas selvagens
Montados como perfeitos animais
A brisa chega de mansinho,
A música não tem mais cor
O vinho acabou. Perdeu o sabor.
A fogueira jaz encoberta de cinzas
Gemidos, pequenos sons vindos do espaço
Trepidar de galhos a cair,
Um aqui outro ali.
Leves como a bruma a lhes cobrir
Corpos suados, cansados,
Inteiramente esgotados
Mulher nua, deitada na relva
Entre cabelos emaranhados e olhos fechados.
No solstício de verão.

"Solstício de Verão" - Rosy Beltrão

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


Um Guerreiro do Coração é um navegante no vasto mar escuro da consciência, flui livre, por este e por outros mundos, logo não pode estar preso a rotinas pesadas, não pode ter posses, isto atrapalharia seu vôo.
O ser humano comum ou vê o mundo como tédio ou como opressivo. O Guerreiro do Coração vê o mundo como misterioso, maravilhoso e assume a responsabilidade de estar aqui, agora, neste tempo único, mágico, estupendo, cheio de desafios.
Munay...

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Na minha vida, descobri que há momentos de tristeza e alegria, de perdas e de ganhos, momentos em que caímos e outros em que nos reerguemos, momentos de fome e de fartura, momentos em que nos deparamos com a maldade e, em outros, com a bondade. Eu não digo isso para que vocês percam as esperanças, mas para ensinar-lhes a realidade. A vida é uma viagem na qual algumas vezes andamos na luz, e outras nas sombras.

Nós pedimos para nascer, mas aqui estamos.Temos tanto fraquezas quanto forças. Temos as duas porque na vida tudo tem dois lados. Dentro de nós há a vontade de vencer, assim como a disposição para perder. Dentro de nós há o coração para sentir compaixão, bem como a pequenez da arrogância. Dentro de nós há tanto o caminho para enfrentar a vida, bem como o medo que faz com que fujamos dela.

A vida pode nos dar força. A força pode vir a partir do enfrentamento das tempestades da vida, a partir do conhecimento da perda, do sentimento de tristeza e de desgosto, da queda nas profundezas do pesar. Nós precisamos permanecer firmes nas tempestades. Precisamos enfrentar o vento, o frio e a escuridão. Quando a tempestade soprar com intensidades, precisamos permanecer firmes, porque ela não está tentando derrubar-nos, mas, na realidade, está tentando ensinar a sermos fortes.

Ser forte significa dar mais um passo em direção ao topo da montanha, por mais exausto que estejamos. Significa permitir que as lágrimas rolem através do pesar. Significa permitir continuar procurando a resposta, apesar da escuridão do desespero estar por toda parte à nossa volta. Ser forte significa agarrar-se a esperança de que o coração baterá ainda mais uma vez, de que o sol nascerá ainda uma outra vez. Cada passo, por mais difícil que seja, é um passo que nos aproxima um pouco mais do topo da montanha. Manter a esperança viva a cada novo batimento cardíaco nos leva à luz do próximo nascer do sol e à promessa de um novo dia.

O passo mais fraco em direção ao topo da montanha, em direção ao nascer do sol, em direção à esperança, é mais forte do que a mais violenta das tempestades. Sigamos adiante sempre... Adelante hermanos, adelante!

Munay...

sábado, 31 de outubro de 2009


Vejo luzes dançando...
Fogos bailando céleres na escuridão.
Bruxas passeiam pelo mágico luar
Na Noite de Todas as Almas.

Corujas, morcegos, gatos e leprechauns
Dançam em espiral em volta do caldeirão.
Os lêmures saem de seus túmulos negros
Na Noite de Todas as Almas.

Virgens desmaiam em transe em volta da fogueira,
Ogros surgem em meio aos vapores espectrais.
Duendes e bruxas e fadas celebram o Sabat
Na Noite de Todas as Almas.

Druidas colhem o agárico mágico em pleno Samhain,
Cisnes encantados se metamorfoseiam em donzelas
Para amar e amar os jovens poetas enamorados
Na Noite de Todas as Almas.

Fogueiras de espíritos crepitam na clareira alva
E a lua cheia se embriaga com vinhos e tambores.
Sortilégios e demônios são evocados nas brumas
Durante a Noite de Todas as Almas.

Sombras e fantasmas surgem nas paredes
Do velho Henge; as chamas azuis, os incensos
Formam pilares da sagrada sabedoria de outrora
Na Noite de Todas as Almas.

Minha alma vagueia livre, livre pela floresta,
Em conjunto com unicórnios, fadas e centauros.
Entrego-me a orgia enebriante dos sentidos
Na Noite de Todas as Almas.

Cinjo minha fronte com os louros dos antigos bardos,
Sigo indolente entre os braços e os seios da minha bruxa,
Sinto fluir em meu corpo o doce feitiço pagão
Da Noite de Todas as Almas.

Sigo sozinho dentre as frias brumas na florestas,
Cantando meus versos bucólicos e lascivos,
Evocando deuses esquecidos, antigas magias
Durante a Noite de Todas as Almas.

Bruxas e Feiticeiros continuam dançando
Até que o sol surja no alto horizonte.
Cansados, todos nós ficamos esperando a próxima
Noite de Todas as Almas.

Munay...

terça-feira, 20 de outubro de 2009


A vida está renascendo de novo, a promessa da vida renasce, as chuvas vão voltar em outra estação, as plantações vão vingar nos campos, teremos alimento, teremos vida.
Cada novo dia, sinto que a vida continua, que a Natureza está ainda nos dando tanto, mesmo quando por ação ou omissão podemos estar fazendo parte do bando de mercenários humanos que servem nesta guerra que está sendo travada contra ela, contra seu povo?
Pois o que são as árvores derrubadas, os animais extintos, os rios poluídos matando tudo que ali está senão ataques frontais dos herdeiros de Saruman em busca de criar novos lugares como Mordor?
Celebrar a Vida, auxiliar com palavras amigas todos aqueles que nos procuram para desabafar, ser otimista, praticar meditações diárias, é mais uma vez auxiliar a magia a redespertar seu poder neste mundo a beira do caos.
Creio firmemente que só com magia de se sentir Vivo mudaremos o mundo para uma situação equilibrada.
Pois então, celebremos a Vida na plenitude de nossos seres.

Munay...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Respiro o ar puro do Planalto Central em meus pulmões, ar cheio de prana e força vital, cheio do sangue Universal, pois junto com o ar circula a energia vital do cosmos, chamada Chi pelos Taoistas, Prana por várias escolas da Índia.
Esta energia fundamental, que tudo irmana, que tudo compõe em diferentes graus de variação em densidade e tempo é intima aliada de uma consciência que a Eternidade tem de si mesma.
Essa consciência da Eternidade, essa presença efetiva, esta "Força" no conceito Jedi do tempo, ao lado da energia vital compõe uma dualidade fundamental no que chamamos existência.
A existência emana de uma fonte que está em toda parte, somos partes do aro de uma roda de carroça e o eixo se manifesta no momento que o aro toca o solo e o aro é o eixo neste momento.
A Deusa anciã do inverno recolhe sua face, agora é noutra face que ela vai se manifestar, a Virgem, a Terra que guarda a semente em seu seio a espera da maturidade do Sol que virá fecunda-la.
É um tempo de purificação, de livrar-se de tudo que não tem sentido em nossas vidas, de tudo que já ficou no passado e as vezes insistimos, por hábito, comodismo ou receios mil, de abandonar.
O novo, o transformador só pode entrar em nossas vidas se dermos espaço e enquanto este espaço está ocupado com o que já foi, com a mesmice que nada muda, com a repetição do já vivenciado, não haverá mudança, não haverá novidade e corremos o risco de tudo que fica estagnado: Fenecer!
Chegou a PRIMAVERA.
É muito importante sentir como a energia pulsa e se manifesta na existência. Vejam a lua e suas fases. A fase Cheia da lua e a fase Nova, são apenas instantes, aproximadamente quatro minutos que o sol fica em total oposição a Lua (cheia, plenilúnio) ou em alinhamento (Lua nova) no mais a lua está minguando ou crescendo. Isto me leva a lembrar do Taoismo e sua brilhante concepção dos opostos fundamentais: YIN e YANG.
Aqui também há a idéia de que tudo está em fluxo, nada é estático, tudo está em movimento. Religamo-nos a nós mesmos, a nossa mais profunda essência interior, o lugar silencioso intocado de qualquer programação exterior onde ouvimos a voz do silêncio, onde a singularidade do que somos dorme, esperando ser desperta quando nos lembrarmos de nós mesmos. Esse momento de mudança de saída do ovo, da coragem de romper o momento que é um frágil e protetor útero mas também limitante é o aprendizado que a criança solar trás do nascimento na noite mais escura do ano. Agora a criança está crescendo, caminhando para a puberdade primaveril, vai desabrochar para sentir a vida externa a si, que a envolve. Frágil criança começa a crescer, sutilmente os dias começam de novo a ficar mais longos, começa a escurecer mais tarde e a clarear mais cedo. A criança solar começa a crescer, seu poder vai redespertando a vida que dormia, vai redespertando a exuberância da natureza que estava recolhida.
Vivemos num país abençoado, creio mesmo que vivemos na mítica Hybrasil dos antigos contos, a Terra onde o sol brilha intenso, em todo o ano.
Chegou a hora de abrir nossos braços sentir a terra pulsando debaixo de nossos pés, olharmos para esta nova Alvorada e dizer:
Seja bem-vinda a PRIMAVERA!

Munay...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


Eis que renasci das cinzas
Qual a legendária fênix.
Muitas foram as provações
A que meu corpo e espírito
Foram submetidos.
Quiseram de mim cinzas,
E ressurgi das brasas ardentes
E me recompus da fumaça,
Reunindo tudo que em matéria
Líquida, sólida ou gasosa
Ainda em meu corpo restava.
Mesmo abalado, meu espírito
Inquieto jamais padeceu,
E ainda me perguntava:
Qual energia reuniu
As moléculas de cinza e fumaça
Espalhadas pelo vento?
Meu nome é dragão!
Isso foi antes do fogo ardente
Em mim ateado me queimar.
E fogo contra fogo prometi
Para provar àqueles zumbis alegres
Que esse não era meu fim.
Eis que renasci das cinzas
Qual a legendária fênix.
E meu ser quimérico,
Desde há muito iluminado
Pela força Superior dos Ancestrias,
Paira entre fênix e dragão
Vivendo vivo, seguindo o Caminho do Coração.

Munay...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009


Para um Guerreiro do Coração todos os atos contam, todos, não há atos importantes e outros de menor importância, vamos ficar muito pouco tempo aqui neste mundo maravilhoso, na verdade pouco demais para presenciar todas as maravilhas que aqui existem, assim cada segundo é importante, cada ato é final.
Todo ato tem poder, especialmente quando quem age sabe que tal ato pode ser sua última ação neste mundo. Como não sabemos quando nem como a morte vai chegar cada ato, como ler este texto, pode ser seu último momento na terra, assim não tem sentido manter estados de espírito tolos e caprichosos, cada ato deve ser pleno, com a certeza que pode ser o ultimo.
Os guerreiros tiram uma estranha felicidade em agir e colocar em cada ato toda sua força, como se fosse este ato seu último sobre a Terra. Sendo assim, não deixem para amanhã para dizer aqueles a quem amam o que verdadeiramente sentem por eles.

Munay...

sábado, 15 de agosto de 2009



Devemos procurar sempre viver em plena harmonia. Quando estamos em harmonia com as forças que compõe a existência tudo flui melhor, os resultados do viver são muito mais satisfatórios. Existe um velho ditado que diz o seguinte: "Quando nos propomos a uma busca sincera da Verdade, a Verdade com a mesma sinceridade e empenho que revelamos, sai a nos buscar".
Aprendi na minha caminhada que antes de expandir a consciência precisamos "ter" consciência.
Nascer para cada dia, é ousar morrer a cada noite, recolher-se no silêncio interior para que durante o sono nossa outra metade seja capaz de viver realidades outras, sem nenhum limite e a força destas duas partes que somos nós se manifeste na plenitude de nossas vidas, em harmonia.

Munay...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Como um beija-flor brilha enquanto vive, enquanto voa, enquanto se alimenta, brilha em si, por ser ele mesmo, é costume dos Guerreiros e Guerreiras do Coração brilhar em si, cientes de que o caos interior apenas existiu para que agora nasçamos estrelas cintilantes.
Em cada ato realizado com consciência e lembrança de si, em cada momento que passamos por uma árvore em uma rua e a sentimos viva e consciente, apoiando assim esse intento, podemos estar minando a ordem estabelecida e criando as rachaduras necessárias para que a luz do Sol volte a entrar nesta senzala moderna chamada cidade.
Estar em sintonia com o aqui e agora é levada a suas mais sutis implicações para um Guerreiro.
Quando estamos completamente presentes, com todos nossos sentidos atentos, sensíveis, receptivos, podemos então notar que é mesmo aqui e agora que está também a outra realidade paralela a essa que coexiste com a nossa, mas que não percebemos, por termos sido trancafiados em masmorras perceptivas e atemorizados, em níveis diversos, para sequer desejarmos escapar das já invisíveis grades que nos cerceiam enquanto fazemos parte da "normalidade" vigente.
A rebelião dos Guerreiros do Coração é auxiliar cada ser a saber que tem a Eternidade em si, que não pode deixar que o obriguem a mendigar por migalhas de um todo que lhe pertence naturalmente, que a religião não tem o único caminho para a transcendência, nem a ciência tem o único método válido de conhecimento, que podemos enquanto entidades singulares nos desenvolver a níveis muito mais amplos de participação na Eternidade que nos cerca.

Munay...

quinta-feira, 23 de julho de 2009



O caminhar dos guerreiros em busca da liberdade de percepção, me mostrou a beleza do caminhar pelo caminhar, sem esperar chegar. Na vida colhemos o que plantamos, tento agora plantar por plantar sem esperar o colher... elimino assim uma das travas do caminho que é a ansiedade, tentando sempre manter o foco apenas no aqui e agora, atento a armadilhas presentes neste estado de sono em que fomos deixados.
Temos hoje a chance de ter uma chance que conquistarmos a liberdade de percepção, mas mesmo que não chegue lá sinto que agarrar esta pequena oportunidade já é suficiente para viver uma vida de aventuras indescritíveis, de conhecimentos além das palavras, de percepções de outras realidades além desta em que nos encontramos. Cheguei agora em um ponto onde não tem mais volta, onde na verdade não existe um porque de se querer voltar, não existe outra forma de viver se não esta trilha que percorro.

Munay...

quarta-feira, 8 de julho de 2009


No coração e na alma de todos os que buscam mora um lobo... Ou talvez seja o contrário, por terem um lobo em sua alma eles busquem
Mesmo adormecido ele está lá... Olhando, sentindo e muitas vezes sofrendo... O que ele busca muitas vezes não está muito claro, apenas existe aquela insatisfação, aquele sentimento de não pertencer a este aqui e a este agora...
O lobo que busca se sente um estranho em uma terra estranha... Sente saudades de algo que não sabe de onde ou quando... Mas sente. Muitas vezes é um lobo solitário, que corre sozinho pela noite escura... Uivando, querendo ouvir uma resposta... Pois apesar de muitas vezes ser um solitário... Não é o que quer ... Ele é solitário porque nos caminho que percorreu não encontrou sua matilha... Ele chama na noite buscando resposta... Pois a busca solitária faz sofrer o buscador... mas mesmo sofrendo, ele continua a perseguir a Felicidade... sabendo que algum dia irá encontrá-la e ela irá sorrir para ele como fazem os amantes ao olhar o luar.

Munay...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Celebramos a Vida


O xamã não ora a deuses implorando humildemente favores. Um xamã entra em sintonia com as potências da vida e age em harmonia com esses fluxos.
Magia é a forma do xamã se aliar aos poderes que nos cercam, não orações de pedintes.
Tais potências que imprecisamente chamamos de deuses e deusas, não respondem a "oração" mas ao poder pessoal e a precisão da magia empregada. Isso é fato.
Ao contrário do religioso que reza para Deus ajudar e quando nada recebe, ou até o contrário acontece, se julga sendo "castigado" ou "testado", um xamã sabe se realizou o rito de forma correta e tem poder pessoal suficiente para atingir o que procura. Isso é Magia.
Nossa proposta seria muito mais próxima do cear com os deuses, nunca para eles. Não há qualquer traço de adoração no xamanismo que trabalho. Trabalhamos com sintonia, nunca com adoração. Celebramos, jamais cultuamos. Buscamos ser o mito, não adorar o mito.
O xamanismo celebra a vida, os ciclos da natureza, mas o celebrar do xamanismo não é adorar, não é prestar culto ou submissão a um ente superior, para o xamanismo tudo está interligado, assim tudo é igualmente sagrado, um xamã se ajoelhando na terra não demonstra temor a um ente superior, está se aninhando no ventre da Mãe, se aconchegando na fonte de onde tudo provém, a Mãe Terra.
É difícil mudar a mentalidade, a forma de abordar a realidade. Muitas pessoas subitamente percebem que o xamanismo tem um apelo profundo. Sentem a ressonância e mergulham no mesmo, mas trazem para o xamanismo antigas posturas existenciais.
Não operam em si uma profunda transformação conceitual, não reavaliam sua percepção da realidade circundante, apenas pegam os mesmos conceitos e o resignificam, isto é, dão rótulos novos, mas continuam com a mesma bagagem conceitual.
Como sempre digo, iniciar-se é morrer para o velho ser que éramos e nascer para um novo ser.
Morrer é transformar-se, é deixar para trás um estilo de ser, de agir, de pensar, de sentir e ousar encontrar um novo estilo.
Sem essa mudança estrutural não houve iniciação.
Rituais portentosos podem ter ocorrido, mas o sentido fundamental da iniciação, morrer e renascer, não foi alcançado.
E morrer é deixar o velho e nascer novamente, de si próprio, por si, puro, ingênuo, pronto a reaprender o mundo.
Essa purificação necessária, despir-se de todos os "eus" conceituais que nos impregnaram para conseguir ver a realidade como ela é, não como nos condicionaram a vê-la.
Ao observarmos as tradições nativas e lermos todos os livros que contam sobre a iniciação de um xamã veremos que é isto o que o grupo que inicia faz.
Desmonta sistematicamente a antiga visão de mundo e "educa" o aprendiz a mergulhar numa nova abordagem da realidade.

Munay...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fogueira do Amor


Noite fria de início de inverno no Cerrado, grandes labaredas aquecem almas ainda mais. Seus corpos nus ao redor do fogo dançam, suam riem, gritam, pulam alegrando a festa.
A fogueira do amor, são toras e gravetos. Visto pelo lado feminino, da poesia, dos sonetos e do masculino, fogueira é o amor. Que trepida, acesa, irradiando, de suas entranhas, o desejo ardente, seu clamor.
No meio do grupo estão duas almas iguais, a máxima comunhão seus corpos alcançam. Eles são o fogo e a festa, o sangue e o suor. Rodopiando e rolando, amando e beijando. O calor arde nos corações e na fogueira aquecendo os dois consumando o amor.
Na noite mais escura do ano, a fogueira reflete a chama do amor. Tanto como a fogueira. Acessa. Sem dor. Mas cada fogueira tem seu calor.
A sua maneira de acender. É infinita enquanto dura. A sua chama e a sua forma e as suas cores. E o seu tom. Entre o amarelo e o vermelho batom.
Algumas duram muito. Outras nem tanto. Mas todas duram.
Não o suficiente para esquecer os gravetos. Que se perdem quando as toras crepitam. E se agitam. Dentro da fogueira. Mas são eles, os gravetos, que dão a partida. O início. O primeiro passo para que tudo pegue fogo. O precipício.
O calor arrefece no meio da clareira, das chamas de antes só sobraram brasas. A fogueira se apagou, o povo foi embora e os dois ficaram sentados na esteira deixando que sua imaginação tenha asas, vendo o carvão que era madeira outrora.
Até que tudo se acalme. Vire fumaça. Brasa que ardia. Lembrança de uma noite fria. Que já passou com seu calor. Que se renova sempre. No outro dia.

Munay...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dois Lobos e um só Caminho

À vários dias que o confronto entre dois lobos parecia inevitável. O lobo desafiador - jovem e forte - a procura de um território para formar sua própria alcatéia, perseguia o lobo mais velho pelos caminhos da floresta, testando e avaliando a força do seu oponente, marcando território com seu odor... desafiando de forma ritualizada num código guerreiro pronto para a guerra.

A manhã vai alta, o sol a muito que aqueceu a imensidão verde dourada da floresta. Os pássaros estão silenciosos. O irmão vento parece ausente, meditando na natureza da vida e da morte. Fecho os olhos, inspiro profundamente os odores do bosque pela última vez... durante um segundo... passa toda a minha vida de lobo guerreiro pela minha alma já cansada... a minha juventude de criança... aqueles que amei... as alegrias e as tristezas. Sorrio com olhar em direção ao céu. O coração está ofegante e estranhamente em paz. Mostro os caninos, as minhas armas guerreiras ao meu adversário, em sinal de honra e respeito pelo seu desafio. A muito que aguardo que o Grande Lobo me substitua nessa missão de guardião da luz, devo ter certeza que o meu oponente possui a grandeza no coração e a sua alma seja despojada de maldade e ódio.

O lobo cinzento fita com o seu olhar duro e imóvel o lobo velho a sua frente. O pelo do seu dorso está enfeitado para a guerra como uma armadura marcial dos antigos samurais. Tenta invadir a mente do seu adversário, procurando vacilação, sinal de fraqueza. O lobo velho se mantem imóvel como as rochas da montanha, a sua mente tá vazia... apenas possuia a paz e imensidão do universo no seu interior. Como lutar contra a harmonia da natureza... como vencer a imensidão do cosmos... a energia geradora da vida do universo. O lobo cinzento antes de medir força com o lobo velho, já se encontra vencido... esmagado pela imensidão do universo.

Os passarinhos voltam a confundir-se com a vida da floresta. O irmão vento rodopia entre os troncos e folhas das árvores brincando com as borboletas multicolores. Os cheiros misturam-se no ar, alegrando a vida de todos os animais irmãos da natureza. O lobo cinzento parte de novo na busca do seu próprio teritório, do seu equilíbrio espiritual. O lobo velho se mantem humildemente nos seus caminhos na floresta... humilde, com a alma livre de ódios e medos, com o coração em paz com o universo... em paz consigo próprio.

Munay...